Como aprender a aprender?

Esta é uma questão que está ligada a como aprender a estudar, e que me deparei com ela quando ainda andava na escola.
Existe certamente muito conteúdo nesta matéria.
Pergunto-me também se é possível encontrar um único método que sirva para todas as disciplinas, e que seja o mais simples e eficaz possível.
Pergunto-me também se existirá algum método (mesmo que por temas) que permita uma aprendizagem rápida e que persista no longo-prazo … como p.ex “andar de bicicleta”

Gostava de sistematizar esse mesmo conteúdo e oferecer um mapa a quem se interessa pela aprendizagem no geral, e quer desenvolver esta competência universal.

Cursos Online:

Métodos:

  • ?

Partilhas pessoais:

  • ?

Vídeos:
– Mestre e aluno - Olaria e Alquimia - https://www.youtube.com/watch?v=Pz4vQM_EmzI

Que conteúdos conheces neste tema?

P.S. agradeço ao Marco de Abreu a partilha no facebook do link: https://medium.com/@adfig/que-competências-para-as-novas-gerações-iii-e6dd55272a16#.vtw5r65nk, que inspirou esta escrita e agradeço também ao António Figueiredo a redação do texto ali presente.

Atenção aos “estilos de aprendizagem” (visual, auditivo, cinestésico, etc.)…há quem diga que não serve de muito adaptar conteúdos a estilos de aprendizagem, ainda que ajude pensar sobre a forma como nós próprios aprendemos :

Obrigado ao Claudian Dobos a partilha no FB.

Quem fez o estudo?
https://educationendowmentfoundation.org.uk - Uma IPSS do Reino Unido que estuda a aprendizagem ao nível das populações mais desfavorecidas, e que visa facilitar uma verdadeira democratização da educação.

Esta associação tem também vários estudos sobre técnicas de aprendizagem específicas.
Interessante ver que eles estudam, para cada técnica, o custo de aplicação da mesma e a evidência científica do seu impacto.

Uma fonte com vários recursos sobre técnicas de aprendizagem:

Algumas técnicas com custo reduzido e que podem facilitar a aprendizagem, com grande impacto:

É de realçar que a forma como as técnicas são aplicadas é também ela importante.
O feedback por exemplo, pode ter resultados muito positivos e também muito negativos no que respeita à aprendizagem, tendo a possibilidade de permitir uma adaptação para melhorar e a capacidade de desmotivar.

Será também relevante, a quem quiser usar alguma destas técnicas, compreender o contexto e o que a instituição entende por impacto, por prova científica (ex: conhecer as características dos contextos de estudo…). Se alguém quiser acrescentar essa info a esta conversa - possa fazê-lo :-).)

Interessante ver partilhar uma pirâmide de aprendizagem que dizem ser de William Glasser, que coloca “ensinar os outros” como a forma mais eficaz de aprender: http://provaseegabaritos.blogspot.pt/2016/07/voce-sabia-que-quando-ensinamos-e.html. Agradeço à Helena Rodrigues a partilha no FB.

Ao investigar um pouco mais esta informação, encontrei também um alerta para a validade da mesma, nomeadamente dos números ali presentes. Observe-se: http://www.willatworklearning.com/2006/10/people_remember.html, que refere que William Glasser é incorretamente citado neste caso.

Outros lugares na net referem o mesmo:
http://homepages.gold.ac.uk/polovina/learnpyramid/disputed.htm
http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00220272.2015.1088063?scroll=top&needAccess=true&journalCode=tcus20

Uma parte relevante de uma aprendizagem “correta” é testar a informação que nos é apresentada. Ainda que seja intuitivamente plausível que ensinar os outros é uma atividade que nos traz grande aprendizagem, isso só será verdade (digo-o de experiência própria) na medida em que se queremos ensinar verdadeiramente algo a alguém, é essencial nós próprios aprender verdadeiramente o que estamos a ensinar.

Dito isto, se concordo que o querer ensinar os outros é um estimulo à auto-aprendizagem, a verdade é que há um risco enorme também quando não se domina a matéria a ensinar e se utiliza fontes pouco fiáveis para aprender.

Sobre “discutir com os outros” ter 70 pontos na dita pirâmide da aprendizagem, será relevante observar também à qualidade da discussão/diálogo e da aprendizagem.

Há quem refira que Feynman defendia o uso de 4 passos para aprender um conceito:
(de http://pensadoranonimo.com.br/nobel-da-fisica-ensina-4-passos-para-aprender-tudo-o-que-voce-quiser/ )
Obrigado ao Laurent Bordas a partilha.

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  1. Escolha um conceito

Qualquer um que preferir. Pode ser um de macroeconomia, economia doméstica ou qualquer coisa que vier a cabeça.

Seja química ou culinária, ou primeiro uma e depois a outra. E anote o conceito – o mais importante aí é desenvolver o raciocínio.

  1. Escreva-o como se estivesse ensinando uma criança

Redija, então, tudo o sabe sobre esse conceito.

Mas atenção: você precisa fazer isso da maneira mais simples possível. Escreva como se estivesse explicando para uma criança – ainda que isso pareça absurdo e desnecessário, é um passo muito importante.

Assegure-se de que, do início ao fim, você esteja usando uma linguagem bem simples. Além disso, evite jargões e expressões prontas que partam do pressuposto de que você já sabe o conceito delas.

Explique cada detalhe de tudo e não caia na tentação de omitir algo que, na sua visão, está subentendido.

  1. Volte no tema e pesquise sobre ele

No passo anterior, provavelmente você encontrou lacunas no seu conhecimento. Coisas que você esqueceu e que não conseguiu explicar.

E esse é o momento em que você começa realmente a aprender. Volte à fonte de informações sobre esse tema e pesquise o que ainda falta entender.

E, quando você achar que cada subtema está claro, tente escrever no papel a explicação para ele de uma maneira que até uma criança entenderia.

Quando você se sentir satisfeito e estiver compreendendo tudo o que antes estava confuso, volte à redação original e continue escrevendo as explicações nela.

  1. Reveja e simplifique ainda mais

Depois de passar por todas essas etapas, revise o que escreveu e simplifique. Certifique-se novamente de que não usou nenhum jargão associado com o tema que está te intrigando.

Leia tudo em voz alta. Preste atenção para perceber se está tudo exposto da maneira mais clara possível.

Se a explicação não for simples ou se soar confusa, interprete isso como um sinal de que você não está entendendo algo.

Crie analogias para explicar o conceito, porque isso ajuda a esclarecer tudo na sua cabeça e é a prova de que você está realmente dominando aquele tema. "

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Desenvolver a memória é provavelmente uma das melhores formas de desenvolver a capacidade de aprendizagem.

ler o texto http://theconversation.com/the-memory-code-how-oral-cultures-memorise-so-much-information-65649 (obrigado Melissa pela partilha), que refere como antigos povos memorizavam conhecimento (como taxonomia de animais e suas relações com plantas, p.ex) através de canções, danças e também associado a elementos geográficos (montanhas, estrelas), lembrou-me um livro que li há tempos com vários exercícios, e que em verdade não senti necessidade de sistematizar e desenvolver.

O livro chama.se "uma memória espantosa . aprenda técnicas e dicas que lhe irão mudar a vida com o mestre da memória, e o autor é Dominic O’Brien - oito vezes campeão mundial de memória, Plátano editora.

O método de loci, referido no artigo, é falado no livro também.

Se houver interesse manifesto, talvez um dia coloque aqui os vários exercícios.

Josh Kaufman diz que em 20 horas e com 4 passos se consegue aprender “qq competência”.
(fonte: TEDxCSU - via http://lifehacker.com/learn-anything-in-20-hours-with-this-four-step-method-509281792)

Traduzo na íntegra os 4 passos ali apresentados, comentando em seguida

  1. Desconstruir a competência: Separar a competência em partes e descobrir as partes mais importes para praticar primeiro. Se estivesses a aprender como tocar um instrumento musical, por exemplo, saber apenas algumas notas dá-te acesso a muitas músicas. Se queres aprender uma nova língua, aprende as 2000 palavras mais comuns e terás coberto 80% dos textos.
  2. Auto-corrige-te: Utiliza materiais de referência para saber o suficiente para identificares quando estás a fazer um erro e para te poderes corrigir sozinho.
  3. Remove quaisquer barreiras a aprendizagem: Identifica e remove tudo o que te distraia de te focares na competência que queres aprender
  4. Pratica pelo menos 20 horas

Será relevante observar também aos comentários do artigo, e dali depressa se depreende que há quem não concorde com esta afirmação.

Pessoalmente, olho a esta afirmação com cautela, devido a essencialmente 3 pontos

  • O autor não identifica quaisquer fontes que sustentem o que está a dizer
  • Não se indica quanto tempo é que se demora a realizar os 3 primeiros passos ou que “técnicas” se podem seguir para os executar no menor tempo possível (talvez no livro diga algo?)
  • Qualquer abordagem universalista é arriscada - nos comentários vemos uma pessoa que se diz músico dizer que aprender a tocar algumas músicas que enumera requer bem mais de 20 horas. Tb vemos dizerem que aprender chinês e japonês tb demora mais que isso.

Seria também relevante perceber o que o autor quer dizer com “aprender”. Do video pode depreender-se que por aprender ele quer dizer saber os passos mínimos para começar a praticar algo.

Pessoalmente gosto da ideia de que se pode aprender qq coisa em menos de 24h, desde que nos apliquemos o suficiente e saibamos gerir as emoções de frustração pelo caminho.

Uma pergunta que surge é: O que aprender a seguir ?

P.S. de notar que “Josh Kaufman é um cantor de soul e escritor de canções, que vive em Indianapolis, no estado de Indiana nos EUA” (https://en.wikipedia.org/wiki/Josh_Kaufman)

Diria que relacionado com “aprender a aprender”, um texto sobre como criar o nosso próprio “design”, refere 4 passos para o fazer.

Ao lê-los, ocorre-me que realizá-los para qq algo que queiramos aprender pode ser útil.
Adapto-os aqui:

1- Observação ativa: estudar o “design” do que se quer aprender.
2 - Desconstrução - isolar camadas para compreender o detalhe de cada componente
3 - Imitação - recriar “designs” para interiorizar decisões de “design”
4 - Criar - produzir novo trabalho original que é influenciado e informado pelos passos anteriores.

No contexto da memória, uma técnica de memorização utilizada é a repetição espaçada ao longo do tempo.
No site https://ncase.me/remember/ encontra-se uma boa explicação - interactiva - deste método, a par com muita outra informação relevante.
Por exemplo refere que Hermann EbbingHaus encontrou a chamada curva do esquecimento, que refere que ao fim de 24h, sem tentativa de recordar, se perde a maioria do que se aprendeu.

Por quê tem os seres que descobrir como aprender?
Não seria isso um mecanismo natural como pisar os olhos?
Não seríamos todos autodidatas?
Por quê criamos método? técnicas?
É o método que ensina? é a técnica que ensina? É o professor?
Ou a frase que diz, “quando o aluno está pronto o professor aparece?”
E porque o professor apareceu ele está pronto pra ensinar?
Quem ensina? o professor ensina à matéria ao aluno? ou o aluno que ensina ao professor como ensinar?
E porque o mundo está tão preocupado com educação?
Índio tem método pra ensinar? ou simplesmente vão caçar juntos e quem acompanha aprende?
Participar é aprender?
Em que participamos atualmente?
Ou temos que pagar pra participar?
E de onde vem tão comentada dificuldade pra aprender?
É um método moderno, famoso, renomado que irá propiciar a forma correta de aprender?
Ou temos que tirar o que impede o ser de aprender?
O que estimulo tem a ver com técnica para ensinar a aprender?
Estimulamos alguém colocando algo que faltava ou tirando o que impedia o que já havia de se expressar?
Conseguirmos estimular alguém que por longos anos desestimulamos ou podamos?
Qual o valor das perguntas?
O que elas podem fazer por alguém?
O que é possível tirar dos textos abaixo?

  1. http://www.krishnamurti.org.br/index.php/educacao-conceito-pouco-criadora-nao-espiritual/
  2. http://www.krishnamurti.org.br/index.php/aprender-disciplina-sentido-vulgar-e-transcendente/

Ocorre-me partilhar aqui um vídeo e um texto, sobre o mito do modelo VARK - Visual, Auditive, Read/Write /Kinestesic. (Visual, Auditivo, Verbal, Cinestético).

No vídeo encontramos como dica para memorizar as várias palavras usar sistemas de memória, e no texto a recomendação de nos focarmos sobre o que queremos aprender.

Aqui ficam os links:
Vídeo (menos de 15 min): https://www.youtube.com/watch?v=rhgwIhB58PA ;
Texto: Are ‘Learning Styles’ Real? - The Atlantic

Comecei esta semana o curso Super Brain, que tem como objetivo “ensinar” a aprender mais rapidamente, através de modelos como o FAST e técnica M.O.M.
FAST é acrónimo de
F - Forget - Esquecer tudo o que se sabe sobre um assunto, esquecer as nossas crenças e limitações.
A - Active - É preciso ser-se ativo para aprender…o sistema passivo de consumo de informação não serve.
S - State - o nosso estado emocional é relevante para a aprendizagem. Aprendemos melhor quando há emoção associada.
T - Teach: Ao ensinar outros estamos a aprender também (é isso que espero também alcançar ao partilhar este texto).

A técnica MOM é a que eles chamam de mãe de todas as técnicas e é acrónimo de:
M - Motivation - A motivação é essencial para a aprendizagem/memorização de algo. Perguntarmo-nos e saber o porquê de aprender algo ajuda à nossa motivação.
O - Observation - A capacidade de observar/estar presente é importante para a aprendizagem. Só dessa forma podemos captar o que alguém nos diz, ou o nome de alguém, ou…
M - Mechanics - O conjunto de técnicas e práticas que nos ajudam a aprender.

Na sequência do curso SuperBrain, partilho aqui o que eles chamam de Sun List - uma técnica de associação básica, essencial, dizem eles, para o resto do curso.
Nada como um exemplo prático. Algo que permitir-te-á medir o nível em que estás hoje, e onde poderás estar com o uso desta técnica. Lê este texto de cima para baixo sequencialmente, sem ver mais a baixo pois se não perde a eficácia. Para este exercicio precisas de um bloco de notas ou de um documento online.
No curso eles dizem as palavras, não as escrevem, pelo que aqui faço uma ligeira adaptação do exercício, e altero também algumas palavras procurando contextualizar à cultura portuguesa.
Lê as seguintes palavras. Depois conta até 10 e escreve as palavras por ordem de acordo com o que te lembras.

Sol
Meias
Semáforo
Carro
Estrela
Ovos
Arco-Iris
Polvo
Gato
Dedos
Skis
Rosas
Bruxa
Ouro
Dinheiro
Velas
Revista
Camião
Golf
Exame Escolar

Escreve as palavras que te lembras, por ordem, durante 30 segundos.
Quando terminares conta o nº de palavras que acertaste (na ordem certa) e continua a ler.

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Agora vamos usar então a técnica básica de associação. Lê em voz alta a seguinte sequência, e depois toma 30 segundos (ou o tempo que precisares) para escrever numa folha em branco as palavras por ordem.

1 - Sol : O Sol é o que sinaliza o principio do dia
2 - Meias - Um par de meias, 2 meias
3 - Semáforo - Um semáforo tem 3 luzes
4 - Carro - Um carro tem 4 rodas, tipicamente 4 portas
5 - Estrela - Um hotel de 5 estrelas; uma estrela tem 5 vértices
6 - Ovos - meia dúzia de ovos (em inglês usam Soda - Refrigerante, como um conjunto de 6 latas)
7 - Arco-Iris - as 7 cores do arco íris
8 - Polvo - os 8 tentáculos do polvo
9 - Gato - Um gato tem nove vidas
10 - Dedos - os 10 dedos das mãos, dos pés
11 - Skis - a Imagem de dois skis na vertical, lado a lado
12 - Rosas - um conjunto de 12 rosas
13 - Bruxa - o número do azar/sorte; sexta-feira 13 - magia negra
14 - Ouro - 14 onças de ouro (visualiza)
15 - Dinheiro - a 1ª moeda em euros - 1 euro; a primeira nota em euros: 5 euros
16 - Velas - um conjunto de 16 velas
17 - Revista - Há uma revista americana que se chama Seventeen - dirigida a adolescentes
18 - Camião - camião com 18 rodas. (em inglês 18-wheeler)
19 - Golf - um percurso de golfe tem 18 buracos. O 19º é o bar onde todos vão confratenizar a seguir.
20 - Exame Escolar - a nota máxima é 20. (em inglês usam Fox - Raposa, como em 20th Century Fox - uma produtora de filmes)

Agora escreve novamente, numa folha em branco, sem olhar para aqui as palavras por ordem.
Passados 30 segundos, ou o tempo que precisares, termina e volta aqui e anota o nº de palavras que acertaste.

Não importa se acertaste todas ou não, o que importa é o progresso que fizeste!
Se fizeste o exercício, gostaste desta técnica e queres acompanhar as minhas partilhas ao longo do curso, responde a esta mensagem (precisarás registar-te) com a tua pontuação antes e depois de aplicares a técnica.