Como enfrentar uma depressão?

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#1

Conheci uma pessoa que parece estar a viver uma depressão.
O que me leva a crer tal? Bom, ela diz que não consegue fazer nada sozinha. Que não se sente capaz para se deslocar do sítio em que está. Que precisa de ajuda. Ela já sabe que precisa de alguém. Grande parte das sugestões que fiz (escrever um diário, procurar associações e atividades locais, ir a zonas lá perto) parecem não ajudar.

No entanto, parece que apenas falar a ajuda, E eu tenho esta vontade de perceber realmente como a posso ajudar, além das conversas, pois não me parece que as mesmas sejam suficientes, e não tenho a experiência nem a disponibilidade para a orientar sozinho.

E agora, o que fazer?

Mil e uma hipóteses me ocorreram.

A primeira foi dizer-lhe para parar de tomar o Prozac que lhe foi receitado por uma médica de clinica geral (e os médicos que venham aqui ao diálogo se quiserem explicar categoricamente as vantagens do Prozac e eu poderei considerar rever esta minha recomendação). Porquê ? Pois, segundo https://www.drugs.com/sfx/prozac-side-effects.html e https://www.tuasaude.com/prozac/, alguns dos efeitos secundários comuns são: ansiedade, nervosismo e insónia, para nomear apenas três.
Além disso, e também seguindo fontes oficiais portuguesas ( https://www.dgs.pt/ficheiros-de-upload-2013/dms2017-depressao-e-outras-perturbacoes-mentais-comuns-pdf.aspx) parece que a Psicoterapia é a forma mais eficaz de combate à depressão.

Hoje em particular decidi pesquisar sobre psicólogos na área de residência dessa pessoa, e o primeiro sítio que me ocorreu foi ir a http://wecareon.com. Adorava que alguém dessa rede viesse aqui participar no diálogo, e a Paula Ribeiro está desde já convidada ao mesmo, enquando iniciadora desse projeto.

Entretanto, cruzei-me também com um texto que refere como lidar com a depressão e solidão sem ajuda de ninguém http://pt.wikihow.com/Lutar-Contra-a-Depressão-e-Solidão-Sem-a-Ajuda-de-Ninguém e daí, que refere alguns exercícios. No entanto, neste caso em particular, não parece servir, pois a pessoa não tem motivação para escrever, e ainda assim, ao ler ali que as Terapias Cognitivo-Comportamentais, isso abriu todo um leque de possibilidades, e creio poder servir para ajudar a escolher um psicólogo/psicoterapeuta. ( https://pt.wikipedia.org/wiki/Terapia_cognitivo-comportamental ).

Entretanto conto

  1. telefonar para o dito centro de saúde e perguntar sobre os psicólogos/consultas externas por eles recomendados,
  2. descobrir pessoas na área de residência que possam de alguma forma ajudar no minimo a minimizar a solidão.
  3. identificar pessoas com as competências necessárias e provas dadas em lidar com situações deste tipo.

Convido desde já todas as pessoas que conheçam alguém que tenha passado por uma depressão (ligada ou não a solidão) e a ultrapassado para partilhar a sua experiência, bem como que possam recomendar profissionais experientes onde indicam o motivo da recomendação.


#2

Olá a tod@s,

Este tema é muito relevante e atual, atendendo ao nível assustador de depressões que flagelam as nossas sociedades ditas modernas e desenvolvidas.

Quero partilhar convosco um ensaio do escritos Charles Eisenstein sobre este tema, dando pistas que considero muito relevantes para a nossa reflexão sobre o “problema”. O Ensaio tem o título de “Mutiny of the Soul”:

Gostaria muito de saber o que sentem ao lê-lo?

Alegria!

Nuno da Silva


#3

Olá Diogo. Grata por me incluires aqui. A depressão e ansiedade são infelizmente as doenças do século XXI.

A pessoa que tem depressão muitas vezes não pede ajuda e têm que ser os familiares, pessoas mais próximos a ajudar e a convencer a pessoa a falar com um profissinal de saúde.

Partilho aqui um guia prático da depressão, que foi feito na WeCareOn , para a pessoa ler

Neste guia tem ainda um teste de depressão, que se pode fazer, mas claro que é sempre melhor contactar um profissional para averiguar os resultados e os sintomas.

Na WeCareOn fazemos consultas online e também presenciais, nalgumas zonas do país.

Se eu puder ajudar, fica aqui o mail info@wecareon.com

Até breve


#4

Olá Nuno,

Obrigado pela partilha. Gosto dessa visão partilhada pelo Eisenstein de que a depressão/ansiedade são respostas naturais do corpo a algo que precisa de mudar.

O que observo ao trazer a atenção para o corpo é uma tensão a dispersar-se, ainda que presente em diferentes partes, desde as omoplatas aos pulsos enquanto escrevo. Uma sensação aguda que antecede outras mais subtis.

No plano do sentimento/emoção sinto alguma alegria e tristeza em simultâneo. Alegria pois é bom saber de que o corpo reage naturalmente. Tristeza por ali não identificar uma proposta de caminho para lidar com estas situações, além de indicar que não se concorda com as abordagens (há 9 anos atrás - data do texto) do sistema vigente nem mesmo com as abordagens holísticas que entendem que uma mudança na pessoa a poderá permitir sair desse estado.

O que penso é que efetivamente ele se refere à relevância de não só se caminhar para um maior alinhamento pessoal entre o que valorizamos e o que fazemos, e também para um maior realismo sobre a possível incoerência entre valor e ação. Um convite a ver o mundo com novos olhos e aceitar a morte de algumas partes de nós.

Dito isto, ao ler o texto, sinto também alguma irritabilidade. Por ter necessidade de uma abordagem mais prática também. Uma abordagem mais comprometida. Possíveis dicas que potenciem o caminho para um bem-estar mais contínuo. Sim, a aceitação das emoções de tristeza, raiva e medo, é importante. Mas como criar o campo que potencia a mais bela expressão das pessoas que estão com esses estados de espírito? Como fazê-lo de forma equilibrada?

Qual o patamar saudável entre transformação individual e contribuição para uma transformação coletiva? Qual a responsabilidade que todos nós que por um momento estamos noutros estado de espírito temos? Qual a ação (ou inação) a que nos convoca? Como fazê-lo de forma equilibrada, considerando os vários domínios da vida?

Estas são as perguntas que de certa forma me têm inquietado em particular.


#5

Olá Paula,
muito obrigado pela resposta e em particular pela partilha do guia.

Quais os passos que achas que uma pessoa que conhece alguém que está muito provavelmente com depressão deve fazer para apoiar a mesma, num cenário em que a outra pessoa não tem computador e tem resistência a sair da área da residência?


#6

Olá Diogo. Podemos falar pessoalmente, para ver se te consigo ajudar nisso. É preciso mostrar à pessoa que algo poderá não estar tão bem neste momento e que é bom cuidar de si e que existem pessoas, tal como tu, que queres ajudar e também profissionais de saúde com quem pode falar para esclarecer duvidas e ajudar na recuperação. Também fazemos serviços aos domicilios, em casos que sejam necessários. O sair, estar ao sol, fazer algo que goste com pessoas que goste, é fundamental.


#7

Uma pessoa que conheci em tempos, que pediu anonimato e autorizou a partilha aqui, disse:

Olá Diogo, vi a tua questão relativa à depressão e gostava de partilhar contigo a minha experiência, não querendo expor-me, daí ter recorrido aqui ao messenger.
Os primeiros sintomas de depressão surgiram após a morte de uma pessoa muito próxima
perdi a vontade de comer, sair de casa, as coisas que gostava de fazer deixaram de fazer sentido
na altura foi muito importante a atenção dos amigos
que me tiravam de casa
tinha um vizinho que me vinha buscar para corrermos e eu a muito custo lá ia
às vezes só um passeio pelo bairro já fazia a diferença
houve um momento em que decidi pedir ajuda e fui directamente à consulta externa de psiquiatria da minha área de residência e pedi ajuda, mas não queria tomar medicamentos (nunca tomei)
comecei a ter consultas de psicoterapia
que ajudaram bastante
entretanto decidi experimentar algo mais holístico e comecei a ser acompanhada por um medico de medicina tradicional chinesa q me tratou com fitoterapia e acupunctura com massagem tui-na
a meditação foi também fundamental
passados 2 anos dos primeiros sintomas decidi experimentar um retiro de terapia emocional, que me deu ferramentas para eu enfrentar as crises, porque há sempre dias piores que outros
continuei com o trabalho de terapia emocional, que ainda hoje faço
penso que hoje, 7 anos volvidos, consegui ultrapassar esta situação
é muito importante o acompanhamento médico especializado
e da minha experiencia, nem sempre é necessário recorrer-se a medicação
por isso, em suma, da minha experiencia, “Como enfrentar uma depressão?”
com o apoio dos amigos/familia, psicoterapia, acupunctura, meditação, terapia emocional
contacto com a natureza

Obrigado pela partilha…Alguém conhece alguém destas várias áreas (medicina tradicional chinesa - fitoterapia e acunpuctura com massagem tui; meditação; terapia emocional; psicoterapia) que possa vir ao diálogo sobre o tema?


#8

Sobre este tópico vi numa partilha de facebook:

Do qual realço uma parte específica:

In the early days of the 21st century, a South African psychiatrist named Derek Summerfeld went to Cambodia, at a time when antidepressants were first being introduced there. He began to explain the concept to the doctors he met. They listened patiently and then told him they didn’t need these new antidepressants, because they already had anti-depressants that work. He assumed they were talking about some kind of herbal remedy.
He asked them to explain, and they told him about a rice farmer they knew whose left leg was blown off by a landmine. He was fitted with a new limb, but he felt constantly anxious about the future, and was filled with despair. The doctors sat with him, and talked through his troubles. They realised that even with his new artificial limb, his old job—working in the rice paddies—was leaving him constantly stressed and in physical pain, and that was making him want to just stop living. So they had an idea. They believed that if he became a dairy farmer, he could live differently. So they bought him a cow. In the months and years that followed, his life changed. His depression—which had been profound—went away. “You see, doctor,” they told him, the cow was an “antidepressant”.

Ao ver esta partilha respondi:

And while the structures don’t change and all the work decision owners don’t shift mentalities, I would recommend shifting the language from needs to desires.

Human has the basic needs to breath, eat (once in a while), drink (every now and then) and keep the thermal comfort (threshold varying from person to person). (thank you Rafael Santandreu for the book “A arte de não amargar a vida”) and for Brief cognitive-behavioral therapy (a study in https://www.researchgate.net/.../306371449_Brief…)

Everything else that we consider as needs should be looked with caution.