Por vezes acontece

poema

#1

Por vezes acontece
Fluir a cada instante
Com bloqueio a montante
Por vezes se enaltece
O sonho que é viver
Ama-se e se amarelece
Mesmo antes de morrer

Por vezes há tristeza
Que equilibra a alegria
Que mexe com energia
A lágrima da surpresa

Por vezes é preciso
Parar para pensar
Parar para largar
Parar por parar

Por vezes em relação
Por vezes num momento
Esquece-se o sentimento
E lá vem o ser mandão

Por vezes não há resposta
Não há organização
Olhamos ao intuitivo
Que se esquece do coração

Por vezes a raiva é tanta
Perante a impotência do momento
Que se não a convertermos
Por ora ocorre enfraquecermos

Possamos pois assim
Encher-nos de Força,
De Garra, de Sabedoria
Dizer à vida que Sim
E resgatar essa Alegria

De pegar nas nossas varinhas
Naquelas que fazem acontecer
Auscultemos tudo o que sabemos
No silêncio do amanhecer

Ouça-mos o que nos dizem os pássaros
Olhemos em nosso redor
Saibamos Entender o Medo
Saibamos Ver as Possibilidades

Olhemos pois ainda com atenção
E olhemos com esse olhar de dentro
Uma por uma, senti-la-emos.
Observemos.
Podemos fazê-lo parado ou em movimento
Observemos.
Se em conjunto estamos
Em ritmos diferentes,
Pode ser útil um parar rapidamente
E outro parar mais singelamente
Pode ser útil parar em lugar diferente
Pode ser útil correr
Ir dar uma volta
Passear.
E ainda assim não saberemos
O Amanhã.

E Cuidaremos, com a certeza de um sem fim
De um saber mais profundo do que nos é querido
De que, mais cedo do que se pensa, irá acontecer.

Os bloqueios se irão desvanecer.
A tempestade irá passar.
O barco irá a porto chegar.

E possa esse ser bom porto,
De acolhimento, na medida certa

Se chegarmos depressa, cheios de energia,
Possamos ter espaço para a partilhar.
Se chegarmos devagar, com certa melancolia
Possamos ter espaço para chegar.
E se viermos cheios de tal magia,
Possamos ser pois mágicos assumidos
E ter audiência para se disfrutar

E se porventura chegarmos dançando,
Cantando, rindo, celebrando,
Possamos então estar juntos
Só estando.

E nos permitamos lembrar
Desses estados passageiros
De que não serão eternos e ainda assim
Quiçá, o possam ser…
Por vezes ?