Que caminhos para encontrar propósitos de vida?

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#1

Em simultâneo com o programa que referi em https://dialogue.diogocordeiro.pt/t/que-caminhos-para-encontrar-o-bem-estar-continuo/153/1, em que participei em 2011, iniciei também o desenvolvimento de uma ideia que vim a chamar de school4jobs - https://www.slideshare.net/diogocsc/school4-jobs-vfinal1-29059646, que veio a alimentar a criação do Projecto GET mais tarde - https://projectget.weebly.com . Entretanto com a minha ligação à João Sem Medo ( www.joaosemmedo.org ) e pessoas a ela ligadas, vim a tomar contacto com o conceito do Ikigai ( https://en.wikipedia.org/wiki/Ikigai), e sei que em particular cá por Portugal o José Soutelinho trabalha este conceito de “propósito de vida”, no seu curso de transição interior: http://despertutor.pt/transicao-interior-2/ e que uma área toda dedicada a este tema será o chamado Life Coaching , que conheci através da Joana Reis - https://www.linkedin.com/in/joanamatosreis

Ao José e à Joana, convido também ao diálogo neste espaço.


#2

Sobre este tópico e referindo novamente a Ikigai vi (agradeço a partilha de Tiago Pita em Village 3.0: 10,000 Conversations no fb)

Nesse texto refere-se que especialistas indicam que a resposta a 4 questões é um bom ponto de partida para esclarecer qual será um propósito de vida:

O que é que amas fazer?
Em que é que tu és bom?
Em que é que o mundo precisa de ti?
Pelo que é que podes ser pago?

Considerando que falamos de uma palavra japonesa, observo como curioso que a citação de Gordon Matthews que refere que a forma como as pessoas no Japão compreendem Ikigai pode estar ligado a duas ideias japonesas – ittaikan e jiko jitsugen. Itaikkan refere-se a “um sentido de completude com, ou compromisso com, um grupo ou função", enquanto que jiko jitsugen se relaciona mais com auto-realização.

Será também relevante observar a última frase deste texto, citando novamente Matthews: “Ikigai não é algo grandioso ou extraordinário. É algo bastante factual.”

Na prática, e da minha experiência pessoal, cada vez mais vejo esta questão como estar mais ligado ao presente e ir estabelecendo objetivos ao longo da vida.

De onde vejo e cada vez mais pela minha experiência, exista a curiosidade por qualquer algo, a vontade de aprender ou o sentimento de que “algo precisa mudar” e aí se encontra um “propósito de vida”.

Na prática, podemos acreditar que há um fio condutor em tudo o que fazemos.
Isso diria cada vez mais, é simples: Se acreditarmos que precisamos de um propósito único de vida, então podemos simplesmente aumentar a abstração da sua definição.

Imaginemos que o João tinha como propósito de vida casar-se e ter filhos.

A partir do momento em que se casasse e tivesse filhos tinha alcançado o seu propósito de vida.
Portanto, depois assumimos que entraria em depressão profunda e diria que a vida não faz mais sentido, ou então morria…Até pode existir algum caso assim, mas não me faz sentido entender propósito de vida desta maneira…

Podemos então aumentar o nível de abstração e dizer que o propósito do João é cuidar do bom, do belo e do verdadeiro. Como isto é suficientemente abstrato o João poderá conseguir olhar para tudo o que faz e intuir se o que fez é bom, belo e verdadeiro, e caminhar nesse sentido. Será útil na óptica da auto-realização porventura, e se ele partilhar o significado de bom, belo e verdadeiro com mais pessoas, então poderá ser útil para outros também. No entanto, como é que o João irá lidar com a situação sempre que algo que faça não se enquadre nos seus critérios do que é bom, belo e verdadeiro? Ficará frustrado…irá sofrer…

Logo esta ideia de propósito de vida mais uma vez não me faz muito sentido.

Ao escrever este texto, na realidade fi-lo com a ideia pré-concebida de que não existe apenas um propósito de vida. Essa ideia levou-me a questionar:

De onde vem essa ideia de propósito ?

E eis que surge uma resposta interessante: https://www.nytimes.com/2017/07/31/opinion/the-universe-doesnt-care-about-your-purpose.html , que refere que propósito pode ser relevante para:

  • ultrapassar o abuso de substâncias
  • ultrapassar uma tragédia ou perda
  • alcançar sucesso financeiro

No entanto, e segundo o texto refere que Aristóteles (384–322 BC) já pensave sobre o assunto e dizia que o nosso propósito é a felicidade. E associa a felicidade à virtuosidade, a bons hábitos e uma mente saudável. Conceitos que podem ser associados a uma moralidade.

O autor deste último texto afirma-se materialista e defende a inexistência de propósito no plano da física. Reconhece no entanto a utilidade da crença num propósito para a satisfação pessoal e cita um biológo reconhecido que associa esse propósito maior à vida extraterrestre : https://www.nytimes.com/2016/12/12/opinion/can-evolution-have-a-higher-purpose.html
e refere que a evolução humana pode ter um propósito assim como tem um relógio.

Portanto… “há quem viva tendo um propósito, há quem viva não pensando nisso, e há quem passe a vida a procurar um propósito…”, citando uma pessoa que conheci recentemente.

Portanto…que caminhos para encontrar propósitos?
O que é que te está a incomodar neste momento? Isso irá incomodar mais tarde? Trata de pensar ou fazer algo sobre como o resolver se assim for!
Nada te incomoda? Fantástico, continua a fazer o que estás a fazer até incomodar.

(P.s. incomodar neste contexto pode ser no sentivo destrutivo ou no sentido criativo)

:-).


#3

Em torno dessa ideia de propósito e na sequência de um video partilhado no facebook e ligado a um desses discursos “motivadores” para alunos (de 15 anos?).


(Obrigado Isabel Sofia Dos Reis-Flood)

Worth the share ?
Gosto da ideia de sucesso partilhada no fim do vídeo.

E isto me ocorre ao escutar.

Cada um tem o seu ritmo.
Há que alinhar o relógio individual com o social (entenda-se por relógio social, o “relógio individial” das outras pessoas) e com o “cultural”.
E em relação ao tema do “propósito” de que se fala no vídeo, relembro o que uma sábia pessoa me disse:

  • Há pessoas que o têm, há pessoas que não pensam nisso, há outras que passam a vida há procura.

Sente-te, com tudo o que és. E isso inclui a tua cultura individual, parte dela “herdada” e aprendida. Escolhe-a conscientemente.

E em tudo o que fizeres, considera-te a ti e aos outros.
Ama os que conheces, e procura respeitar os que não conheces. E questiona sempre se realmente conheces.

E possamos também questionar por vezes sem verbalizar.

Apenas questionar, sabendo estar.
Apenas questionar, contemplar.
Sem muito pensar.
E fluir…olhando ao medo do amanhã do momento, e convertendo-o em possibilidades para o mais puro bem-estar.
E talvez o propósito assim se auto-manifeste.
Como a vida assim acontece.