Que histórias tens a agradecer sobre quando pediste boleia?

gratidão
boleia

#1

Convido-te a responder a esta pergunta com uma história tua, ou algo que uma partilha anterior despolete em ti.

Hoje, pela primeira vez na vida - bom, pelo menos que me lembre - apanhei uma boleia sozinho.

Eram 7h48, tinha perdido o autocarro e decidi experimentar ir andando e pedir boleia. Estava algum frio, que ia passando à medida que ia caminhando.

Passaram vários carros, talvez perto de 20, não os contei bem.

Ao início eu simplesmente experimentava, colocava a mão, polegar para a direita.
Os carros passavam aos intervalos. Às vezes passava um, não parava, e eu continuava a andar.
Outras vezes vinham logo 3 ou 4, nenhum parava. Eu continuava a andar.
Comecei a pensar no interessante que era, no individualismo da sociedade, e dei por mim a julgar as pessoas que não me davam boleia. Depois tentei-me ligar a situações em que eu próprio tivesse feito o mesmo. Lembro-me de algumas, em que nem liguei. Recentemente contudo parei para uma pessoa que pedia boleia.

Também fiz uma auto-análise, pensando se as pessoas teriam medo de mim. Vestido todo de azul, barba comprida…

Depois de ultrapassar o julgamento, comecei a pensar algo como “se não apanhar boleia talvez signifique que o objeto desta reunião não seja suficientemente forte para continuar” …

Afinal, eu ia ter uma reunião e tinha combinado às 9.30 em Lisboa, e tinha feito as contas para apanhar o comboio que saia às 8.16 de Sintra.

Depois veio uma fase de compaixão, e de acreditar que a reunião era por uma boa causa, e comecei a observar através dos vidros dos carros, desejando felicidade e bem-estar pelos condutores.

Alguns dos condutores faziam um sinal com a mão, como que pedindo desculpa…ou secalhar era a cumprimentar. Outros olhavam em frente.
Pus também a hipótese de mudar o método, de escrever num papel o destino…

Cheguei a observar os carros a passar. BMWs, Mercedes, Audis, Citröens, Carrinhas comerciais, caixa-aberta, smarts, etc. .

Curiosamente não fixei a marca do carro do Pedro, que me deu boleia. Apenas que não tinha ninguém ao lado e que a sua filha ia atrás.

O Pedro teve tempo para ir deixar a filha à escola, e deixou-me na estação de Algueirão, não sem antes de me mostrar onde trabalhava.

O Pedro tem uma clinica de veterinária no Algueirão. Tinha uma cabra à porta.

Além disso, conversa puxa conversa, e acabámos por trocar contactos.
Surgiu também uma possível oportunidade de utilizar um espaço para organizar atividades, numa óptica de troca de serviços: o Clube Recreativo da Praia das Maçãs. Quem sabe se e quando poderá fazer sentido.

Apanhei o comboio das 8h41 e cheguei ao meu ponto de encontro às 9.20.

A tempo de enviar uma mensagem ao Pedro.
A mesma que te dirijo a ti, por leres este texto.

E não é que cheguei a tempo?
Mais uma vez obrigado e um belo dia para ti.