Sobre as vias do estudo teórico e do estudo prático (experimentação)


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A questão da teoria versus prática já terá certamente sido debatida por muitos seres que por cá viveram, pelo menos desde que o ser humano começou a pensar diria que tal dilema deve existir. Se alguém quiser partilhar alguma citação de algum autor ou discordar, por favor faça-o. E sem favor também :-).

O estudo teórico será à partida mais seguro, ainda que mais lento se não “devidamente” direcionado.
O estudo prático é mais arriscado, tendo a promessa de uma aceleração na sabedoria, se fôr devidamente realizado.

A questão com a auto-experimentação é que se corre o risco de envelhecer mais depressa. Associando ao ato de envelhecer essa ideia de que é o desgaste físico irremediável. A questão com a experimentação que não é em si próprio, dita assim social, é que se corre o risco de estragar a vida a alguém se essa outra pessoa não tiver as ferramentas certas e as conseguir utilizar recorrentemente.

Qualquer pessoa, na companhia certa, poderá envelhecer de forma mais “protegida”.
Ainda assim, sendo a vida um conjunto de experiências será inevitável envelhecer, até prova em contrário.
E a companhia certa não o será absolutamente certa, ou por ora já se teria descoberto a imortalidade física (já que a intelectual tem sido conseguida pela via da história e preservação do conhecimento e referenciação do passado) e o bem-estar eterno. Há porventura algumas ferramentas que, se utilizadas em comum, podem potenciar quer esse bem-estar quer esse tempo de vida. Essas são ferramentas de relação social e de relação consigo mesmo.

Em termos concretos tenho observado que há por aí muita pessoa procurando o significado ou um projeto para a vida onde esse bem-estar esteja presente e que o procura fazê-lo pela via da experiência.

A meditação tem sido utilizada como pretexto para haver experimentação social supostamente consentida. (À partida aquele que medita terá a ferramenta para sossegar a sua mente e lidar com alguma memória associada ou surgida no decorrer da experiência)

Havendo no entanto diferentes amplitudes de consciência/sabedoria e de capacidade meditativa (i.e. de nos colocar-mos nesse lugar de vazio de pensamentos com histórias) e experiência prática há também diferentes níveis de consentimento.

É importante assim que qualquer experiência social, mesmo que consentida, contenha no seu desenho uma análise de risco potencial e do nível de consciência e experiência da pessoa, bem como que se assegure que essa pessoa é devidamente acompanhada depois da experiência.

Recomendo assim a qualquer experimentador social que se alie aos maiores peritos em filosofia, psicologia, medicina e biologia antes de se aventurar em tais experiências. E que mesmo assim faça um acompanhamento prévio, durante e pós-experimental da pessoa.

Possa também qualquer tipo de experimentação ser devidamente informada e consentida explicitamente, bem como seja fornecido à pessoa um mapa do conhecimento que está a ser experimentado, do perfil que terá sido feito dessa pessoa ou grupo de pessoas, bem como lhe sejam devidamente ensinadas as ferramentas para lidar com os possíveis e previsíveis impactos da experiência.

Naturalmente, há sempre uma dose de imprevisto na experiência quando não se controla nem conhece o ambiente da mesma na sua totalidade, se não não haveria necessidade de “experimentar”.

Sendo cada ser humano diferente, cada experiência ao nível do seu crescimento e da sua sabedoria será sempre diferente.

Quanto aos niveis de consentimento, para assegurar que a pessoa tem de facto o mesmo nível de consciência que o experimentador no que refere à experiência em causa, então a melhor forma será o experimentador começar por explicar à pessoa a sua “ciência”, e arranjar métricas para avaliar a referida aprendizagem, bem como partilhar os resultados com a pessoa no momento certo e convidá-la a fazer a sua própria auto-avaliação.

Contudo, não vejo solução para a inovação social se não a da experimentação.
E a inovação social será sempre necessária enquanto não se alcançar esse ponto óptimo em que o mundo inteiro coopera para o bem-comum, assente em principios base de respeito próprio e mútuo que em última instância poderão bem ser pactos de não agressão -> seja física ou verbal.

Possamos lá chegar pela via da paz e do bem-estar resiliente.